domingo, 29 de setembro de 2013

Joe Euthanazia - Joe (álbum / remix promocional) - Item de colecionador

 Capa
“...Já naquela época Joe fazia rock e era muito ligado ao som que ele define como Tecno-pop.”

A citação que abre a postagem de hoje, foi originalmente impressa no encarte que acompanhava o compacto simples em vinil lançado em 1983, pela gravadora CBS (atual Sony) com as canções: “Mujer Ingrata” e “Tensao no Rio”, ambas cantadas por Joe Euthanazia. Na imagem abaixo você pode ver a foto do encarte.


Antes de falar sobre o trabalho artístico do cantor é preciso fazer várias considerações sobre o ambiente musical, ao qual ele foi lançado. Principalmente, em se tratando de Brasil, cuja nação ainda esta tentando ser alguma coisa no mundo, diante de várias fantasias culturais que ora se prendem ao passado e ora seguem o caminho do presente em direção ao futuro. Para complicar, alguns sociólogos afirmam que o Brasil concentra a maior diversidade étnica do planeta, em meio a 200 milhões de habitantes. E, para piorar, observa-se a existência de uma competição entre vários estilos musicais, disputando o mesmo público em todas as regiões do país.

Da mesma forma que as pessoas ganham em diversidade musical, elas perdem, ao se encontrar desorientadas diante de tantas ofertas, afirmam pesquisadores. Pra começar todos os artistas e simpatizantes dos mais diversos estilos, declaram que sua música é melhor que a música do outro. Tem gente que fala de raízes, simplicidade e devoção sem ser, necessariamente, um representante religioso. Tem gente que fala em modernidade e evolução mesmo que a tecnologia não seja algo compreendido no país. Existem também, pessoas que sapateiam ao redor do passado para defender os interesses musicais da velharia. Por outro lado, tem aqueles que promovem o futuro por conter uma abordagem mais contemporânea. Há os paraquedistas que pensam que são celebridades. Os oportunistas que seguem modinhas musicais lucrativas. Os tradicionalistas que perpetuam conceitos folclóricos do passado e os nacionalistas que defendem uma saraivada musical de hábitos regionais vaidosos, que se misturam aos costumes inventados pelos descendentes dos índios, dos negros e de outros habitantes que um dia passaram por aqui.

Pobre Brasil! Perdidos no caldeirão de influências e influenciados, resta a comunidade musical, o desafio de viver num país em que “Vence o artista que conseguir reunir o maior número de pessoas a seu favor; como se fosse um político!”. A manifestação feita pelo DJ Cédrik Damábiah, no documentário “Profissão músico”, parece delinear de forma provocativa o ambiente musical brasileiro, em que a fauna e a flora se encontram na tentativa de estabelecer regras e definir os rumos da música tupiniquim. Nesta realidade, já em 1989 - há quase 25 anos - o cantor, compositor e guitarrista Joe Euthanázia, lançava o disco chamado “JOE”. O álbum também trazia a participação da cantora Virginie, descendente de franceses, que era vocalista da banda Metrô.

Contracapa

Desafios musicais

Antropólogos afirmam que qualquer artista em qualquer classe social, ao fazer um trabalho muito avançado, estará condenado ou ao sucesso ou descaso. Nesta situação, esquecido pelo público adulto e desconhecido pela maior parte dos jovens, o álbum do cantor JOE chega aos dias atuais, mostrando um artista corajoso ao apresentar um trabalho comercial, com boas doses de música eletrônica; numa época em que a instalação da internet estava começando a ser discutida no Brasil, por grupos isolados formados por professores universitários e burocratas do governo.

Produzido pelo próprio artista e lançado pela extinta gravadora Estúdio Eldorado, algumas canções causaram surpresa para ouvintes alheios ao desenvolvimento musical mundial. Mas não se deixe enganar. Em termos de Brasil, há quem afirme que o álbum expõe uma sonoridade bem diferente do padrão musical que a maior parte da população estava programada para cultuar. O disco apresenta dez canções influenciadas pelos ritmos contemporâneos, samples, colagens e sobreposições de timbres musicais sintetizados que variam entre poprock e synthpop. O álbum registra novas musicas como “Uma rajada de balas”, “Anjo da guarda”, “Cem mil dólares” e também destaca antigos sucessos repaginados em “Me leva pra casa” e “Tudo pode mudar”.

Detalhe da capa

Este álbum apresenta as seguintes canções:

LADO A


1-Cem mil dólares
2-Ligação direta
3-Anjo da guarda 
4-Me leva pra casa
5-Beijo no ar 

LADO B


1-Uma rajada de balas (participação especial de Virginie)
2-Tudo pode mudar
3-Imagine o Brasil
4-Tem sol aqui
5- Rotina

História

José Luís Athanázio de Almeida, também conhecido como “Joe Euthanazia”, “Zezinho Athanazio” ou simplesmente “Joe”, nasceu em Porto Alegre e mudou-se para o Rio de janeiro ainda na década de 70. Chegou a trabalhar com outros artistas como Cazuza, Ivan Lins, Lobão e até Neuzinha Brizola. Em sua curta, mas promissora carreira, lançou dois álbuns de estúdio e vários compactos (singles).

Morte

Ainda em 1989, poucos meses depois do lançamento do álbum “JOE” e em plena campanha de divulgação do disco pelo Brasil, a notícia da morte do cantor pegou todo mundo de surpresa. Após participar de uma festa, Joe voltava para casa de carro e acabou se envolvendo em um acidente de trânsito causando a morte do artista. 

Remixes nunca lançados!

Um tempo depois do ocorrido, alguns fãs descobriram a existência de um single remix nunca lançado até o momento, oficialmente. Trata-se de três versões para a canção “Cem mil dólares”. São elas:

2-Cem mil dólares – Legal tender version
3-Cem mil dólares – Instrumental version

Dj Benno, que é um dos colaboradores do blog, possui uma fita K7 gravada em ótima qualidade com os remixes da canção que foram adquiridos gentilmente junto aos profissionais que trabalhavam na gravadora, na época de lançamento do álbum do cantor. É provável que algumas emissoras de rádio pelo Brasil, também tenham recebido os remixes gravados em fitas rolo, para serem tocadas durante a programação. Porém, em meio a total falta de informações, tanto de familiares quanto da própria gravadora detentora dos direitos autorais das canções, ficam perguntas como:

- Quem recebeu os remixes guardou em arquivo devidamente protegido ou jogou a gravação fora?

- Será que a gravadora guardou uma cópia dos remixes a salvo para lançar  posteriormente?

- Quando a obra completa do cantor será remasterizada e estará disponível no mercado?  

Enfim, coisas da música brasileira recheada de profissionais inconsequentes ou com interesse voltado apenas ao que lhe convém. Lamentável.

Na imagem seguinte, você pode ver com exclusividade, a cópia da capa promocional e da fita K7, que mostram os remixes das canções não oficialmente lançados até o momento:


Rápidas

*A Câmara Municipal de vereadores de Porto alegre, aprovou o projeto do vereador Mauro Zacher , que denomina uma Praça no bairro Cristo Redentor com o nome do compositor José Luís Athanázio de Almeida (Joe Euthanazia). A praça fica entre as ruas Pirangi,  Limoeiro e  Amaragi.

** O álbum “JOE” foi editado em vinil e nunca lançado em CD. O disco está fora de catálogo e por esse motivo é considerado como um artigo raro por alguns de seus fãs e colecionadores. Com sorte, poderá ser adquirido em lojas que vendem discos usados e antigos ou ser adquirido em sites piratas de compartilhamento musical.

***Em um site de relacionamento social localizamos um depoimento do artista Geraldo Flach falando sobre o trabalho do cantor JOE:

"Quando o conheci, era simplesmente Zezinho, o Athanásio, um garoto cheio de musicalidade e talento, fazendo música, sem vergonha de ser feliz. Passeou pela milonga, MPB, Pop, Rock, abraçado em sua guitarra, companheira permanente e portadora de sua inquietude. Queria que sua música não tivesse fronteiras. Virou “Joe Euthanásia”, até adotar o, simplesmente, “Joe”. O mundo estava pequeno para ele. Na última vez em que convivemos, ele estava cheio de planos e otimismo, navegando num mar de felicidade. Naquela noite combinamos compor uma milonga, com solo de guitarra. Estava tão feliz, que resolveu voar." Geraldo Flach

**** Sabe-se oficialmente que foi produzido um vídeo clip pela RBS TV, para promover e divulgar a música “Anjo da guarda”. Entretanto, até o momento, não está disponível em nenhum blog ou site na internet.

*****A canção Me leva pra casa divulgada no site do Youtube (você pode ouvir clicando aqui ), trata-se da gravação original lançada em compacto em 1984 (CBS/SONY) e incluída no álbum "Tudo pode mudar" lançado em 1986, pela gravadora RCA. Logo, a versão é um pouco diferente da regravação da mesma música que foi relançada em 1989 no álbum “JOE” e que você também pode ouvir clicando aqui!

Atrás da maquiagem figurativa se escondia um grande artista pop mal valorizado no Brasil.

Agradecimento especial ao Dj Benno por ter fornecido algumas imagens e algumas canções do artista para ilustrar a postagem de hoje. Bem como, agradecimentos gerais para a cantora Virginie (banda Metrô) e algumas pessoas perdidas na internet que colaboram com várias informações a respeito de Joe Euthanazia.

O show não pode parar...

Um ano após a postagem ser feita pelo blog Brasilremixes, recebemos novas informações sobre o álbum do cantor Joe. O produtor musical Ricardo Severo - que participou da concepção do álbum - se manifestou a respeito da postagem do disco nos enviando o seguinte depoimento: 

Olá, tudo bem?

Li hoje a matéria que vocês publicaram no blog de remixes em 29 de setembro de 2013 sobre o Joe e a fita de remixes dele, e fiquei bem emocionado.

Meu nome é Ricardo Severo, co-produzi o disco CEM MIL DÓLARES com ele, e fiz todos os arranjos eletrônicos do disco. Inclusive compus UMA RAJADA DE BALAS especialmente pra ele e pra Virginie.

Quando conheci o Joe, eu estava tocando com a Adriana Calcanhotto e com o Bebeto Alves, um grande compositor gaúcho, que tem uma parceria com o Joe. Eu apresentei pro Joe algumas bandas que usavam bases totalmente eletrônicas e samplers, e pros DJ que já trabalhavam com house. Foi incrível a aposta que o Joe fez no meu trabalho, e depois a aposta da gravadora em investir num artista que lançou as primeiras faixas originais brasileiras com essa tendência. Foi um trabalho que já havíamos começado em 1988, mostrado em shows e nessas gravações de Porto Alegre.

Esse remix (o Interview) foi produzido por mim durante nossas sessões no Estúdio Eldorado... como comentei, já havíamos gravado uma parte do disco em Porto Alegre um ano antes, e levamos as fitas para aproveitar alguns takes (todos os backing vocals, por exemplo, são dessas sessões gaúchas, com a Nara Sarmento, a Regina Machado e a irmã do Joe, Glorinha Athanazio).

O disco foi lançado em novembro de 1989 e em dezembro, depois de um descanso, estávamos planejando os ensaios da turnê de lançamento. Nessa mesma noite, depois que falamos, o Joe sofreu o acidente fatal. Fiquei muito mal na época, e acabei me afastando por um tempo da música, trabalhando apenas com publicidade. Acabei retomando meu trabalho, doze anos depois, e me mudei pra São Paulo, onde estou só com a música novamente. Atualmente, componho muito para teatro, dança e cinema.

Um abraço e obrigado,"

RICARDO SEVERO

As homenagens continuam.....

Para a alegria da equipe do blog e dos fãs do cantor JOE, dessa vez, quem apareceu por aqui foi a cantora Virginie (vocalista da banda Metrô) que deixou um belo recado que diz assim:

"Oi Gente,

Aqui Virginie, cantora da banda Metrô e, portanto uma das portadoras de Tudo pode mudar, de Joe e Ronaldo Santhos. Obrigada por permitir que o grande Joe possa ser lembrado pois ele era um Grande compositor, guitarrista, artista original e pop, teve parceiros diversos com quem sempre soube fazer coisas emocionantes, dançantes, cheias de energia e com muita paixão. Hiteiro mor :) Além do que era meu amigo, e sinto saudades dele e de sua risada esperta. Torcíamos muito um pelo outro e fizemos um bom time, e tive o prazer e a honra de cantar com ele neste disco super legal. Aqui està o link para escutar o disco tinho, se quiserem. Espero que curtam. Beijos!..."

A equipe do blog Brasilremixes, os fãs do artista e o público brasileiro agradecem as informações adicionais, que complementam a formatação de um ótimo trabalho musical do cantor Joe Euthanazia! 

4 comentários:

Anônimo disse...

Essa postagem ficou show de bola!!! Parabéns...

Marcelo Lopes Vieira disse...

Parabéns... Postagem sensacional... Queria este item na minha coleção... "Me Leva Pra Casa" é uma balada oitentista irresistível que sempre me traz um sabor saudosista.

Incluí-a na playlist de pérolas esquecidas do rock nacional no meu blog. Confere aí! Abraços... https://gavetadebagunca.wordpress.com/2014/09/08/lado-b-do-rock-nacional-anos-80/

Virginie B.M. disse...

Oi Gente,
Aqui Virginie, cantora do Metrô, e portanto uma das portadoras de Tudo pode mudar, de Joe e Ronaldo Santhos. Obrigada por permitir que o grande Joe possa ser lembrado pois ele era um Grande compositor, guitarrista, artista original e pop, teve parceiros diversos com quem sempre soube fazer coisas emocionantes, dançantes, cheias de energia e com muita paixão. Hiteiro mor :) Alem do que era meu amigo, e sinto saudades dele e de sua risada esperta. Torciamos muito um pelo outro e fizemos um bom time, e tive o prazer e a honra de cantar com ele neste disco super legal. Aqui està o link para escutar o disco tinho, se quizerem. Espero que curtam. Beijos
https://www.youtube.com/watch?v=FlH70u84xWs

Daniella Assunção disse...

Eu amava o Joe. Infelizmente nos deixou jovem demais. Adorei o blog e vou recomendar