segunda-feira, 4 de julho de 2022

Natiruts - Sorri, sou rei remix (Single digital)

Capa

Remixes oficiais X remixes caseiros

Nos últimos anos, a praticidade em lançar remixes através das plataformas musicais foi um grande trunfo para djs, músicos, produtores e artistas em geral. 

Entretanto, diante de oportunistas e farofeiros musicais, essa comodidade acabou gerando insegurança na autenticidade dos remixes. Muitas vezes, ficamos com a impressão que alguns produtores e paraquedistas musicais brasileiros descobriram uma fórmula, digamos, (descartável) para produzir novos remixes.

É muito simples! Você pega a canção original e passa ela por um software que faz um escâner da melodia. Daí separa as partes da música, mexe na estrutura, altera a velocidade, mexe nos graves, médios e agudos, reequaliza as frequências musicais, sintetiza os timbres, distorce, filtra e adiciona alguns efeitos no ritmo da canção. O próximo passo é criar um logotipo no editor de imagens e jogar tudo nas plataformas musicais. Pronto! 

No ambiente melódico do “Dance bem, dance mal, dance quem quiser ....” existem remixes interessantes, mas a grande maioria das versões atuais poderá cair na vala comum da descartabilidade, ao se transformarem num sucesso confuso e passageiro. 

Diga-se confuso, por falta de substância.....de qualidade.....de veracidade. E, diga-se passageiro, pela produção simplória - que dilui a arte de construir um remix e ao mesmo tempo superficializa a melodia - como se fosse um “vídeo descartável” do Tik Tok. 

Nesse ambiente inseguro, hoje trazemos a canção “Sorri, sou rei”, que foi originalmente lançada em 2009, pela banda Natiruts. Para a alegria do público, dos colecionadores e fãs, a faixa recebeu um remix em 2018. Aliás, não foi apenas um, mas três remixes no total, até o fechamento dessa resenha. 
Capa remix by KVSH

O primeiro remix oficial foi lançado em 2018 e apresenta um conceito melódico do Brazilian bass. A canção foi remixada por KVSH.

Brazilian Bass

Para quem não sabe, de forma resumida, o Brazilian Bass é um estilo melódico eletrônico com sotaque brasileiro, que está em processo de desenvolvimento. Ele possui características dançantes com múltipla formatação e adaptação, de vários outros subgêneros musicais eletrônicos como o House, o Techno, o Trap, Dub Step, Deep House, etc...

De acordo com o Dj Alok (um dos precursores do estilo) o elemento principal do remix estaria no grave, pois o Brazilian bass possui batidas 4×4, enquanto no bass convencional, elas seriam todas quebradas. Como citado em várias portais na internet, a discussão é polêmica e ainda não há uma definição oficial para descrever o estilo. Vamos aguardar....


Capa remix by Lupa e KZ-Jay

O segundo remix segue a estética dançante da House music e foi produzido por Lupa e Kz-jay com a participação de Lud Mazzucatti. A versão foi lançada em 2019.

Capa remix by Nico Parga

Continuando a festa, o terceiro remix foi produzido pelo Dj Nico Parga, em 2020. A equipe do blog entende que essa versão foi dividida em partes e depois formatada numa faixa única. Ou seja, o remix apresenta a versão original montada sob uma base de House music com referencias dançantes do Afrobeat misturado com efeitos eletrônicos atuais.

 
Todos os remixes podem ser ouvidos lá no Youtube ou comprados nas plataformas digitais. 

Porém, estávamos finalizando essa postagem quando alguém da equipe nos informou que no próprio site do Youtube e nas plataformas da Apple e Spotfy, apareceu alguém utilizando o mesmo remix produzido pelo KVSH, mas com outro nome. 

- Como assim???

Ao verificar e comparar as informações encontramos o remix do Natiruts sendo distribuído com outro nome, um tal de Orea seca

- O quê??

Sim! Um tal de Orea Seca, sem lenço e sem documento, utilizando o mesmo remix do KVSH, postado lá no Youtube e nas plataformas oficiais. Então fica a pergunta: Qual dos dois é o verdadeiro e oficial? O Natiruts possui registro no Discogs e em vários sites oficiais na internet. Mas esse tal de Orea seca – até o fechamento dessa postagem – não havia registro algum. Quem? Quando? Onde? Quanto? Como? e Porque? 

Bizarra essa situação e a grande mídia já percebeu isso. Tanto é que, por medo de fake news, pouco se fala nos remixes brasileiros atuais. Lamentável!

Na sequência podemos ver as imagens da tela da plataforma Spotfy com informações confusas sobre a autoria da canção. As duas faixas são iguais, com a mesma voz e mesma versão, mas com tempo diferente de duração. 
Spotfy Natiruts
Spotfy Orea Seca ? 

Desencontro de informações...

A confusão continua nas plataformas oficiais, quando percebemos a existência de um outro remix de uma música do falecido cantor Tim Maia. Quem produziu o remix, sequer fez menção ao cantor e a melodia original. Aparece apenas o nome da música e o nome do dj como se ele tivesse produzido, gravado e remixado a melodia inteira. Quando na verdade, quem conhece a faixa, percebe que o dj de fundo de quintal só manipulou a canção e fica divulgando nas redes sociais que é “o top das galáxias” dos remixes e dono de tudo. 

É muito prático utilizar uma canção qualquer, dar uma manipulada na estrutura melódica, distorcer os graves, médios e agudos, colocar alguns efeitos digitais e depois jogar tudo em qualquer plataforma musical sem compromisso com ninguém. Lembramos que a facilidade também ajuda a galera mal intencionada. Fica o recado.

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