Capa
A situação dos profissionais em vários setores de trabalho na esfera empresarial, tecnológica, cultural, artística, pesquisa e desenvolvimento, entre outros no Brasil pode ser considerada uma experiência emblemática. Ou seja, a pessoa dispõe dos mecanismos e habilidades necessárias, mas não tem um público consumidor que esteja preparado para lhe acompanhar. Com certeza, diversos artistas nos mais diferentes estilos musicais já passaram por essa situação. Isto é, ter um produto musical incompreendido no Brasil, mas bem visto no mercado Internacional. Ou ao contrário, um produto excelente para o Brasil, mas insuficiente (fraco) para o mercado exterior.
A situação dos profissionais em vários setores de trabalho na esfera empresarial, tecnológica, cultural, artística, pesquisa e desenvolvimento, entre outros no Brasil pode ser considerada uma experiência emblemática. Ou seja, a pessoa dispõe dos mecanismos e habilidades necessárias, mas não tem um público consumidor que esteja preparado para lhe acompanhar. Com certeza, diversos artistas nos mais diferentes estilos musicais já passaram por essa situação. Isto é, ter um produto musical incompreendido no Brasil, mas bem visto no mercado Internacional. Ou ao contrário, um produto excelente para o Brasil, mas insuficiente (fraco) para o mercado exterior.
Já
comentamos em outras postagens, que a virada do século marcou para o Brasil um
ajuste de contas no cenário musical. A mídia percebeu sua própria falta de
conhecimento sobre o assunto e começou a evitar as generalidades musicais, que antes
dominavam o ambiente de trabalho jornalístico e blogueiro, em quase toda a sociedade, de norte a sul do país.
Antigamente,
dadas as proporções, para a velharia de conhecimento limitado tudo que tinha um
“tum tis tum” era considerado eletrônico ou dance. Não importava se fosse Rock,
Poprock, Sambarock ou se James Brown cantasse “I feel Good sem a bateria
eletrônica”! Pode ter certeza, tudo que era próximo ao “tum tis tum” era futilmente
classificado e chamado de dance.
Devido a confusão intelectual das pessoas, diversos trabalhos musicais de artistas brasileiros foram prejudicados, desmerecidos ou ignorados pelo público, pela mídia e até pelos próprios colegas de profissão. Num período aproximado de dez anos (1996 - 2006)* a nova geração, conseguiu assimilar melhor as “diferenças” musicais e compreender a importância da evolução. É claro, que o advento da internet ajudou em muito nesse processo de conhecimento, pois libertou as pessoas da influência assustadora dos profissionais de interesse limitado, ligados as grandes empresas midiáticas, donos de jornais, gravadoras e de emissoras de rádio e TV, que dominavam o gosto e controlavam até então o conhecimento superficial do público.
Nessa
fase, a diferença entre musicas para serem tocadas nos clubes e musicas para
serem tocadas na raves ficou explícita. Bem como, nem tudo que possuía uma
batida “dançante” significava, necessariamente, que poderia ser dançada em
qualquer lugar. A divisão de estilos musicais ficou mais definida. Vários djs
deixaram de ser generalistas para se tornarem especializados em determinados
estilos como Techno, Drum n´ bass, Trance, House, Psytrance, Deep House, Electro,
Hard Techno, Hard Trance, Hip Hop, Techouse, Downtempo, etc... O entendimento do remix se
transformou em remix comercial, remix conceitual, remix sofisticado, remix
alternativo entre outras variações. Os grandes produtores musicais não
frequentavam os clubes e as festas dançantes. Então, foi necessário que os djs arregaçassem
as mangas e invadissem os estúdios profissionais ou até mesmo os estúdios
caseiros, para produzir novos e reconfigurar velhos artistas, para o novo
ambiente sonoro, que potencializou um grande crescimento nos últimos 20 anos. A melodia eletrônica
entrava definitivamente no cotidiano musical da sociedade.
É evidente que existem vários detalhes de toda essa situação e inúmeros aspectos históricos para serem analisados. Foi nesse caldeirão de tentativas, que em 2006 o Dj Memê lançou o single oficial da música “Patolada”. O single no formato digital, em Cd e em vinil 12” foram lançados apenas no mercado internacional, pela gravadora Fluential ligada a Defected records. Dizem que a canção possuía o título original de “Vitrola”, mas posteriormente acabou sendo chamada de “Patolada”. O single apresenta duas versões produzidas pelo próprio Dj Memê: Original mix e Memê beatzzzz. Patolada não é uma música cantada, mas essa característica não é motivo para defeito. Apesar da batida da House music ter contagiado os fãs do estilo, a canção não se encaixa em todos os tipos de festas e nem em programas de rádio exageradamente comerciais.
A parte importante nesse contexto, foi o fato do Dj Memê mostrar um novo trabalho, independente do interesse das gravadoras nacionais e de parte do público brasileiro de conhecimento restrito. Ou seja, outros djs no Brasil também já estavam lançando suas produções artísticas, numa forma de marcar presença no território musical mundial e não apenas depender do mercado tupiniquim, muitas vezes fechado e egoísta - como se o Brasil tivesse a obrigação - de girar em torno de um único estilo musical, definido por meia dúzia de pessoas. Por isso que trabalhos independentes, são superimportantes para que o desenvolvimento musical brasileiro, não caia na mesmice.
Toda essa questão musical que envolve evolução, desenvolvimento, produto, cultura e conceito é gigantesca e precisa ser discutida, analisada, questionada, comparada e estar sempre presente no cenário musical, em todas as classes sociais do país. Caso contrário, voltaremos a viver uma vida doutrinada, pelo bel prazer e entendimento particular de pessoas preguiçosas, que se contentam com um desenvolvimento de vida limitado.